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Reencarnação: processo universal de aplicação dos códigos

Domingo, 12 de Julho de 2009

As primeiras referências à idéia de reencarnação se perdem na noite dos evos da História. Temos notícias dela há dois mil e quinhentos anos, nas Upanichades [escrituras sagradas do hinduísmo], até hoje a maior religião da Índia. Neste mesmo período, Pitágoras (1), filósofo e matemático grego, nascido por volta do ano 580 a.C., que foi discípulo de Ferecides de Siros, dizia que a alma era imortal e, depois da morte do corpo, ela ocupava outro corpo - palingenesia -, às vezes de um animal - metempsicose [tese equivocada do matemático de Samos]. Pelas fontes históricas, foi a primeira vez que a teoria da reencarnação foi mencionada no Ocidente. Posteriormente, Platão (429-347 a.C.), também filósofo grego, discípulo de Sócrates, ensinava que a alma nasce muitas vezes, até mesmo durante 10 mil anos, e, depois, parte para a bem-aventurança celestial.

Nos primeiros séculos, muitos grupos cristãos, majoritários, defenderam a palingenesia, especialmente os gnósticos (2), com sua visão profundamente inteligente do corpo e da matéria em geral. O extraordinário cristão Orígenes (3), de Alexandria, defendeu a reencarnação. A partir das suas reflexões, surgiu um grupo sábio de monges que passaram a professar também a doutrina das preexistências. Para os “donos” do poder clerical, o chamado “origenismo” tornava-se nefasto e tumultuava, mormente a Palestina; em face disso o patriarca da igreja de Jerusalém, no século VI, solicitou ao imperador bizantino Justiniano que interviesse.

O imperador escreveu um tratado contra Orígenes e levou o “dono” da igreja de Constantinopla a reunir aí um sínodo (4) em 543, que condenou as teses relativas à preexistência da alma e outras posições origenistas. Dez anos depois, em 553, com a aquiescência ambígua do papa Virgílio (5), o Imperador Justiniano convocou o II Concílio de Constantinopla, no qual, com astuta maquinação, retirou definitivamente a chamada “controvérsia origenista”, mediante eleição espúria que venceu por 3 a 2 votos. E a reencarnação foi definitivamente banida dos preceitos de direito eclesiástico (6). Lógico! A Igreja estava defendendo nesse ato extravagante a doutrina do céu e do inferno e das penas eternas porque centrava mais poder em suas mãos. E dessa forma a reencarnação foi banida num dos mais graves equívocos cometidos pelo Cristianismo.

Antes disso, no século III, o notável Clemente de Alexandria observou em sua obra Stromata (Miscelâneas): “A hipótese de Basílides, um mestre gnóstico, diz que a alma, tendo pecado anteriormente em outra vida, experimenta punição nesta vida”.

Nessa mesma época, Tertuliano, o primeiro autor cristão a escrever em latim, negando a metempsicose, se expressa muitas vezes sobre o assunto, como nessa passagem: “Quão mais digno de aceitação é o nosso ensino de que as almas irão retornar aos mesmos corpos. E quão mais ridículo é o ensino herdado (pagão) de que o espírito humano deve reaparecer em um cão, cavalo ou pavão!” (Ad Nationes, Cap. 19). Fica evidente que tanto quanto os espíritas, os sábios da Igreja também não aceitavam a metempsicose.

A tese da metempsicose conflitava a mente de alguns teólogos, questão que a rigor só foi mais bem esclarecida com o advento do Espiritismo. Vejamos o apologista e historiador Lactâncio, que no século IV expressa o pensamento dos seus contemporâneos cristãos: “Os pitagóricos e estóicos afirmavam que a alma não nasce com o corpo. Antes, eles dizem que ela foi introduzida no mesmo e que migra de um corpo para outro”. Em outro ponto de sua obra As Institutas Divinas, ele afirma: “Pitágoras insiste que as almas migram de corpos desgastados pela velhice e pela morte. Ele diz que elas são admitidas em corpos novos e recém-nascidos. Ele também diz que as mesmas almas são reproduzidas ora em um homem, ora em uma ovelha, ora em um animal selvagem, ora em um pássaro… Essa opinião de um homem insensato é ridícula”.

Outro testemunho importante vem do maior teólogo da Igreja antiga do século V, Agostinho. Ele estava familiarizado com as teorias de reencarnação tanto maniqueístas quanto platônicas do seu tempo. Em um comentário sobre Gênesis, ele rejeitou como contrária à fé cristã a idéia de que as almas humanas retornavam em corpos de diferentes animais, de acordo com a sua conduta moral (transmigração). Em A Cidade de Deus (Livro X, Cap. 30), o bispo de Hipona observa que, embora o filósofo neoplatônico Porfírio tenha rejeitado esse conceito ensinado por Platão e Plotino, e não hesitasse em corrigir os seus mestres nesse ponto, ele achava que as almas humanas voltavam em outros corpos humanos. Sobre essa questão (metempsicose), o Espiritismo corrige o equívoco de Pitágoras.

Atualmente, para alguns cristãos, a “prova” da unicidade da vida humana está inserta no cap. 9, versículo 27, da carta de Paulo aos hebreus: “aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo”. Será que Jesus atribuiu para a vida atual um valor decisivo para toda existência posterior à morte? No debate, os convictos da unicidade proclamam a ressurreição, mas sobre esse fenômeno sobrenatural é imperioso refletir sobre os casos da filha de Jairo (Mt. 9:18-26), do filho da viúva de Naim (Lc. 7:11-17) e do próprio Lázaro (Jo. 11:1-44). Se ambos “ressuscitaram” como crêem tais cristãos, como ficaria a evocação da carta aos hebreus acima, para se negar a reencarnação? Recordemos que ambos os “ressuscitados” não teriam morrido uma só vez. A propósito, sequer estavam mortos, apenas acometidos de catalepsia. (7)

Jesus asseverou que a verdade libertaria o homem. Se a verdade (reencarnação) está sendo negada aos cristãos atualmente, fica evidente que os mesmos não se encontram livres, ou, o que é pior, estão algemados aos férreos dogmas humanos, disseminados pelos negadores contumazes do princípio natural da reencarnação, forjadores de uma fé entronizada nos pináculos da ficção, do mito e dos celestes devaneios do imaginário teológico.

Na máxima “nascer, morrer, renascer e progredir incessantemente tal é a Lei”, encontramos o mais legítimo processo universal de aplicação dos códigos de justiça nas Leis do Criador.

JORGE HESSEN
jorgehessen@gmail.com

Fontes:

(1) Pitágoras de Samos (séc. VI a.C.), filósofo e matemático grego. Seus seguidores, os pitagóricos, que, dos sécs. VI ao IV a.C., organizados em comunidades filosófico-religiosas multiplicadas pela Magna Grécia, constituíram a chamada escola itálica ou escola pitagórica. Define-se o pitagorismo por duas tendências: a místico-moralista, ligada ao orfismo e ao xamanismo, e a filosófico-matemática, de que resultou brilhante acervo de conhecimentos aritméticos, geométricos, astronômicos e acústicos, integrados pelo descobrimento de correspondências numéricas entre as várias ordens de realidade.

(2) Diz-se de, ou adepto do gnosticismo, movimento filosófico-religioso surgido nos primeiros séculos da nossa era e diversificado em numerosas seitas, e que visava a conciliar todas as religiões e a explicar-lhes o sentido mais profundo por meio da gnose (conhecimento esotérico e perfeito da divindade, e que se transmite por tradição e mediante ritos de iniciação).

(3) Morreu em 254 d.C, na cidade de Tiro, em virtude da perseguição de Décio, mais conhecido pelo nome de Trajano, o qual era um incansável opositor do Cristianismo.

(4) Órgão colegiado e permanente do governo eclesiástico das Igrejas do Oriente.

(5) Virgílio (537–555). Nasceu em Roma de família nobre. Foi eleito graças à simonia, à calúnia e à cumplicidade da imperatriz Teodora. De caráter débil, foi vítima de chantagens por parte da imperatriz e do imperador Justiniano. Morreu em Siracusa, quando voltava a Roma, depois de demorada visita ao Oriente.

(6) Há quem afirme que foi por influência de Teodora, esposa de Justiniano, que gostaria de ser divinizada, porém, por ter sido ex-cortesã, mandou matar as antigas colegas (500 mulheres), porque se mostravam orgulhosas por sua antiga “AMIGA” que se havia tornado imperatriz. Os fregueses das meretrizes mortas lançaram à Teodora um anátema: suas próximas 500 reencarnações terminariam sempre de forma trágica. (Se non é vero, é bene trovato).

(7) Estado em que se observa uma rigidez cérea dos músculos, de modo que o paciente permanece na posição em que é colocado. [Observa-se a catalepsia principalmente em casos de demência precoce e de sono hipnótico.]

http://www.oconsolador.com.br/46/jorge_hessen.html

Extremos e Diferenças

Domingo, 12 de Julho de 2009

Com a multiplicidade das existências, podemos aprender continuamente, construir o equilíbrio e reparar equívocos. Isto é a reencarnação, sem segredos. Mera questão de justiça.

Raciocinemos juntos. Relacionemos, em síntese, as diferenças humanas: miséria e riqueza; beleza e feiúra; intelecto farto e dificuldades elementares de raciocínio; gênios precoces e crianças com dificuldades de aprendizagem; morte em tenra idade e juventude sadia; saúde e estabilidade financeira e carências permanentes ao lado de enfermidades cruéis; violência e bondade; honestidade e corrupção; para uns tudo dá certo e para outros nada dá certo; medo e ousadia; modéstia e petulância; etc.

Pois bem! É uma lista interminável esta. Diariamente vemos situações onde os extremos se mostram e confundem o raciocínio. Afinal ficamos a pensar: por quê? Como explicar tantas diferenças? Acaso? Preferência de Deus? Privilégios de nascimento? Méritos? Castigo? Muitos contestam e sentem até dificuldade de entender, mas é simples. A explicação já existe e ela vem de antes da vinda de Jesus ao planeta. Sábios, em várias épocas, antes e após o advento da vinda de Jesus, falaram da reencarnação. E atualmente, pesquisadores e cientistas estudam a temática dessa lei natural que rege as vidas humanas.

Sim, Lei! Não é invenção de ninguém, de nenhuma crença. Nem também privilégio ou exclusividade de quem quer que seja. Simplesmente uma Lei Natural. Sendo natural, é Divina, estabelecida pelo Criador. Mas como constatar que é verdade?

Ora, voltemos ao início deste comentário. Submetamos todas aquelas dúvidas e outras mais da interminável lista a uma única existência que determina sortes e decide o futuro. Como conciliar isso com os princípios de justiça e bondade de um Pai Criador, que denominamos Deus e que foi apresentado por Jesus de maneira incomparável? Numa única oportunidade, repleta de fragilidades individuais e coletivas, como superar desafios que nos façam merecedores e habitantes de uma morada feliz após a morte do corpo? Acrescente-se a isso as situações dos natimortos, das crianças que morrem em tenra idade ou jovens que partem vítimas de acidentes. Não tiveram tempo de construir o próprio equilíbrio. Foram desprezados pela vida. Por quê? E os demais são privilegiados? Isto é justo?

Com a multiplicidade das existências, podemos aprender continuamente, construir o equilíbrio e reparar equívocos. Isto é a reencarnação, sem segredos. Mera questão de justiça. Nesse ponto cabe a clareza da questão 219 de O Livro dos Espíritos:

219 – Qual a origem das faculdades extraordinárias de indivíduos que, sem estudo prévio, parecem ter a intuição de certos conhecimentos, como as línguas, o cálculo etc.? Resposta: – Lembrança do passado; progresso anterior da alma, mas do qual não tem consciência. De onde queres que elas venham? O corpo muda, mas o Espírito não muda, embora troque de vestimenta.

Constância e perseverança também nos levam a novas experiências e ao acúmulo de outras vivências

Sobre as diferentes aptidões dos seres humanos, os Espíritos foram claros na Codificação. À indagação de Allan Kardec sobre as razões da desigualdade dessas aptidões, eles responderam que “Deus criou todos os Espíritos iguais, mas cada um deles tem maior ou menor vivência e, por conseguinte, maior ou menor experiência*. A diferença está no grau da sua experiência e da sua vontade, que é o livre-arbítrio: daí, uns se aperfeiçoam mais rapidamente e isso lhes dá aptidões diversas. A variedade das aptidões é necessária, a fim de que cada um possa concorrer aos objetivos da Providência no limite do desenvolvimento de suas forças físicas e intelectuais: o que um não faz, outro faz. É assim que cada um tem um papel útil (…)” 1.

Ora, a resposta acima enseja vários desdobramentos. A própria indicação de maior ou menor vivência, de menos ou mais experiência, que naturalmente vai determinar o grau de vontade e liberdade, abre imensos espaços de atuação material e moral. Sim, porque cada um de nós só poderá agir com desenvoltura na área que conhece, que domina por vivência anterior, não necessariamente de existência passada.

Isso também leva a refletir que não se está impedido de iniciar campo novo de atuação, cuja constância e perseverança também levarão a novas experiências e acúmulo de outras vivências, igualmente úteis em todo o processo evolutivo.

Na mesma resposta igualmente há a indicação do aperfeiçoamento mais rápido (que gera novas e constantes aptidões, nas diversas áreas) ou mais lento, a depender do esforço despendido e da movimentação da vontade neste objetivo.

Porém os Espíritos são muito claros. Como ensinam, “a variedade das aptidões é necessária”. Cada um trará sua cota de contribuição, cada experiência será utilizada, cada força física ou intelectual concorrerá para o bem coletivo e todos têm um papel a desempenhar, sempre útil no conjunto geral. O interessante, porém, é que nem sempre as diferenças – que devem concorrer para um objetivo útil, como bem indicado em O Livro dos Espíritos 1 – conseguem estabelecer elos de harmonia. Muitas vezes as diferenças individuais são causadoras de conflitos; frutos, é óbvio, da influência do orgulho e do egoísmo que ainda dominam a condição humana.

Onde há o sentimento de tolerância e benevolência está presente a ordem, a tranqüilidade, a estabilidade

Allan Kardec, porém, traz a lucidez de seu pensamento em duas colocações – entre tantas no mesmo sentido –, que transcrevemos parcialmente:

a) “Se um grupo quer estar em condições de ordem, de tranqüilidade e de estabilidade, é preciso que nele reine um sentimento fraternal. Todo grupo ou sociedade que se forma sem ter a caridade efetiva por base, não tem vitalidade; ao passo que aqueles que serão fundados segundo o verdadeiro espírito da Doutrina se olharão como membros de uma mesma família, que, não podendo todos habitar sob o mesmo teto, moram em lugares diferentes”.

A observação está dirigida aos grupos espíritas (em resposta a requerimento dos espíritas de Lyon, por ocasião do Ano Novo) e consta da Revista Espírita, de fevereiro de 1862, página 362, mas vale para qualquer grupamento. Onde há o sentimento de tolerância e benevolência estará presente a ordem, a tranqüilidade, a estabilidade.

Da mesma forma, no exemplar de dezembro de 18682, página 392, na Constituição Transitória do Espiritismo (item IX – Conclusão), Kardec volta a afirmar:

b) “(…) mas pretender que o Espiritismo seja por toda a parte organizado da mesma maneira; que os espíritas do mundo inteiro estejam sujeitos a um regime uniforme, a uma mesma maneira de proceder, que devam esperar a luz de um ponto fixo para onde deverão fixar seus olhares, seria uma utopia tão absurda quanto a de pretender que todos os povos da Terra não formem um dia senão uma única nação, governada por um único chefe, regida pelo mesmo código de leis, e sujeitos aos mesmos usos. Se há leis gerais que podem ser comuns a todos os povos, essas leis serão sempre, nos detalhes da aplicação e da forma, apropriadas aos costumes, aos caracteres, aos climas de cada um. Assim o será com o Espiritismo organizado. Os Espíritas do mundo inteiro terão princípios comuns que os ligarão à grande família pelo laço sagrado da fraternidade, mas cuja aplicação poderia variar segundo as regiões, sem, por isto, que a unidade fundamental seja rompida*, sem formar seitas dissidentes se atirando a pedra e o anátema, o que seria anti-espírita (…)”.

A fraternidade pura é um perfume do Alto, é uma emanação
do infinito, é a base das instituições morais

Ora, é a questão das diferenças nos relacionamentos, na convivência. Há diferenças, óbvio, até por questão de entendimento nos diferentes estágios em que também nos encontramos, os adeptos do Espiritismo. Isto, todavia, não elimina a fraternidade que deve reinar para construção da paz no planeta e na intimidade individual. Com isto, podemos concluir que a reencarnação influi também dentro do próprio entendimento espírita, uma vez que nós espíritas também somos Espíritos reencarnados e, portanto, sujeitos aos estágios próprios de entendimento e amadurecimento.

Bem a propósito, como destaca a mensagem Fundamentos da ordem social 3:

“(…) A fraternidade pura é um perfume do Alto, é uma emanação do infinito, um átomo da inteligência celeste; é a base das instituições morais, e o único meio de elevar um estado social que possa subsistir e produzir efeitos dignos da grande causa pela qual combateis. Sede, pois, irmãos, se quiserdes que o germe depositado entre vós se desenvolva e se torne a árvore que procurais. A união é a força soberana que desce sobre a Terra; a fraternidade é a simpatia na união. (…) É preciso estardes unidos para serdes fortes, e é preciso ser forte para fundar uma instituição que não repouse senão sobre a verdade tornada tão tocante e tão admirável, tão simples e tão sublime. Forças divididas se aniquilam; reunidas elas são tantas vezes mais fortes. (…)”.

E conclui com sabedoria:

“(…) Sem a fraternidade, que vedes? O egoísmo, a ambição. Cada um em seu objetivo; cada um persegue-o de seu lado; cada um caminha à sua maneira, e todos são fatalmente arrastados no abismo onde são tragados, depois de tantos séculos, todos os esforços humanos. Com a união, não há mais que um único alvo, porque não há mais do que um único pensamento, um único desejo, um único coração. Uni-vos, pois, meus amigos; é o que vos repete a voz incessante de nosso mundo; uni-vos, e chegareis bem mais depressa ao vosso alvo (…)”.

E qual seria o alvo, para nós que professamos o Espiritismo?

Permitimo-nos reproduzir a clareza da resposta com que iniciamos o presente comentário: “A variedade das aptidões é necessária, a fim de cada um possa concorrer aos objetivos da Providência no limite do desenvolvimento de suas forças físicas e intelectuais: o que um não faz, outro faz. É assim que cada um tem um papel útil (…)” 1.

Concentremos atenção no final da frase: o que um não faz, outro faz. É assim que cada um tem um papel útil (…). Compreendendo este esclarecimento vital, desaparecem as diferenças e a convivência toma seu verdadeiro rumo: o da fraternidade.

Orson Peter Carrara
orsonpeter@yahoo.com.br

* Destaques do autor:

(1) Questão 804 de O Livro dos Espíritos, 8ª edição IDE-Araras-SP, out/79, tradução de Salvador Gentile.

(2) Edição IDE-Araras-SP, nov/92, tradução de Salvador Gentile.

(3) Mensagem obtida em reunião presidida por Allan Kardec, ditada pelo Espírito Léon de Muriane, e publicada na edição de novembro de 1862 da Revista Espírita (edição IDE-Araras-SP, tradução Salvador Gentile, páginas 345 e 346).

Fonte: http://www.oconsolador.com.br/ano2/89/especial.html

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Reencarnação

Domingo, 12 de Julho de 2009

Reencarnação nem sempre é sucesso expiatório, como nem toda luta no campo físico expressa punição.

Suor na oficina é acesso à competência.

Esforço na escola é aquisição de cultura.

Porque alguém se consagre hoje à Medicina, não quer isso dizer que haja ontem semeado moléstias e so­frimentos.

Muitas vezes, o Espírito, para senhorear o domínio das ciências que tratam do corpo, voluntariamente lhes busca o trato difícil, no rumo de mais elevada ascensão.

Porque um homem se dedique presentemente às atividades da engenharia, não exprime semelhante escolha essa ou aquela dívida do passado na destruição dos re­cursos da Terra.

Em muitas ocasiões, o Espírito elege esse gênero de trabalho, tentando crescer no conhecimento das leis que regem o plano material, em marcha para mais altos pos­tos na Vida Superior.

Entretanto, se o médico ou o engenheiro sofrem golpes mortais no exercício da profissão a que se devo­tam, decerto nela possuem serviço reparador que é pre­ciso atender na pauta das corrigendas necessárias e justas.

Toda restauração exige dificuldades equivalentes. Todo valor evolutivo reclama serviço próprio.

Nada existe sem preço.

Por esse motivo, se as paixões gritam jungidas aos flagelos que lhes extinguem a sombra, as tarefas subli­mes fulgem ligadas às renunciações que lhes acendem a luz.

À vista disso, não te habitues a medir as dores alheias pelo critério de expiação, porque, quase sempre, almas heróicas que suportam o fogo constante das gran­des dores morais, no sacrifício do lar ou nas lutas do povo, apenas obedecem aos impulsos do bem excelso, a fim de que a negação do homem seja bafejada pela es­perança de Deus.

Recorda que, se fosses arrebatado ao Céu, não to­lerarias o gozo estanque, sabendo que os teus filhos se agitam no torvelinho infernal. De imediato, solicitarias a descida aos tormentos da treva para ajudá-los na tra­vessia da angústia…

Lembra-te disso e compreenderás, por fim, a gran­deza do Cristo que, sem débito algum, condicionou-se às nossas deficiências, aceitando, para ajudar-nos, a cruz dos ladrões, para que todos consigamos, na glória de seu amor, soerguer-nos da morte no erro à bênção da Vida Eterna.

Emmanuel

Do livro Religião dos Espíritos, cap. 24, de Emmanuel, psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier.

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