Materialização de Espíritos na História da Humanidade – Parte 2
Saindo dos relatos bíblicos vamos nos voltar para fatos de materializações que ocorreram em uma época mais próxima de nossa atualidade: Em 11 de dezembro de 1847, a família Fox instalou-se em uma casa modesta na povoação de Hydesville, no estado de Nova Iorque, nos Estados Unidos da América, distante cerca de trinta quilômetros da cidade de Rochester.
O grupo compunha-se do chefe da família, Sr. John D. Fox, da esposa Sra. Margareth Fox e de mais duas filhas: Kate, com 11 e Margareth, com 14 anos de idade. O casal possuía mais filhos e filhas. Entre estas, Leah, mais velha, que morava em Rochester, onde lecionava música. Devido aos seus casamentos, foi sucessivamente conhecida como Sra. Fish, Sra. Brown e Sra. Underhill. Leah escreveria um livro, “The Missing Link” (New York, 1885), no qual faz referência às supostas faculdades paranormais de seus ancestrais.
Inicialmente, apenas Margareth e Kate tomaram parte nos acontecimentos. Posteriormente, Leah juntou-se a elas e teve participação ativa nos episódios subseqüentes ao de Hydesville. Vejamos uma declaração de um desses fatos:
“Na noite de sexta-feira, 31 de março de 1848, resolvemos ir para a cama um pouco mais cedo, e não nos deixamos perturbar pelos barulhos; íamos ter uma noite de repouso. Meu marido, que aqui estava em todas as ocasiões, ouviu os ruídos e ajudou a pesquisar. Naquela noite fomos cedo para a cama - apenas escurecera. Achava-me tão alquebrada e com falta de repouso que quase me sentia doente. Meu marido não tinha ido para a cama quando ouvimos o primeiro ruído naquela noite. Eu apenas me havia deitado. A coisa começou como de costume. Eu a distinguia de qualquer outro ruído jamais ouvido. As meninas, que dormiam em outra cama no quarto, ouviram as batidas e procuraram fazer ruídos semelhantes, estalando os dedos. Minha filha menor, Kate, disse, batendo palmas: ‘Senhor Pé Rachado, faça o que eu faço.’ Imediatamente seguiu-se o som, com o mesmo número de palmadas. Quando ela parou, o som logo parou. Então Margareth disse, brincando: ‘Agora faça exatamente como eu. Conte um, dois, três”, quatro”., e bateu palmas. Então os ruídos se produziram c omo antes. Ela teve medo de repetir o ensaio. Então Kate disse, na simplicidade infantil: ‘Oh! Mamãe! Eu já sei o que é: amanhã é 1 de abril e alguém quer nos pregar uma mentira.’
“Então pensei em fazer um teste que ninguém seria capaz de responder. Pedi que fossem indicadas as idades de meus filhos, sucessivamente. Instantaneamente foi dada a exata idade de cada um, fazendo pausa de um para outro, a fim de separar, até o sétimo, depois do que se fez uma pausa maior e três batidas mais fortes foram dadas, correspondendo à idade do menor, que havia morrido”.
“Então perguntei: É um ser humano que me responde tão corretamente? Não houve resposta. Perguntei: É um espírito? Se for, dê duas batidas. Duas batidas foram ouvidas assim que fiz o pedido. Então eu disse: Se for um espírito, produzindo um tremor na casa. Perguntei: Foi assassinado nesta casa? A resposta foi como a precedente. A pessoa que o assassinou ainda vive? Resposta idêntica, por duas batidas. Pelo mesmo processo verifiquei que fora um homem, que o assassinaram nesta casa e os seus despojos enterrados na adega; que a família era constituída de esposa e cinco filhos, dois rapazes e três meninas, todos vivos ao tempo de sua morte, mas que depois a esposa morrera. Então perguntei: Continuará a bater se chamarmos os vizinhos para que também escutem? A resposta afirmativa foi alta.”
Após este episodio e outros de manifestações físicas, entre elas o das camadas “mesas girante” que ocorreram na Europa e na América. Diversos homens estudiosos de varias Ciências e principalmente do magnetismo, se propuseram a estudar e esclarecer esses fatos, entre esses homens destaca-se o Codificador da Doutrina Espírita, Professor Hippolyte Leon Dénizard Rivail (Allan Kardec).
Conforme o seu próprio depoimento, publicado em Obras Póstumas, foi em 1854 que o Prof. Rivail ouviu falar pela primeira vez do fenômeno das “mesas girantes”, bastante difundido à época, através do seu amigo Fortier, um magnetizador de longa data. Sem dar muita atenção ao relato naquele momento, atribuindo-o somente ao chamado magnetismo animal de que era estudioso, só em maio de 1855 sua curiosidade se voltou efetivamente para as mesas, quando começou a freqüentar reuniões em que tais fenômenos se produziam.
Convencendo-se de que o movimento e as respostas complexas das mesas deviam-se à intervenção de espíritos, Rivail dedicou-se à estruturação de uma proposta de compreensão da realidade baseada na necessidade de integração entre os conhecimentos científicos, filosóficos e moral, com o objetivo de lançar sobre o real um olhar que não negligenciasse nem o imperativo da investigação empírica na construção do conhecimento, nem a dimensão espiritual e interior do Homem.
Com o conjunto dos estudos já realizado e mensagens psicografadas vindas da América e da Europa, possuindo uma homogeneidade entre a respostas obtidas para as mesmas perguntas de diversos assuntos voltados para as questões da vida e da espiritualidade, e de diversas sessões mediúnicas realizadas por Kardec, juntamente com os médiuns que lhe auxiliaram, surgiu em 1857, à primeira obra da Doutrina Espírita:“O Livro dos Espíritos”. Mas somente na segunda obra, “O Livro dos Médiuns”, Kardec trata da questão das materializações e manifestações físicas dos espíritos com mais especificidade.
Entre alguns estudiosos dos fenômenos de materializações que se propunham verificar e esclarecer para compreender os acontecimentos mediúnicos, havia também aqueles que queriam comprovar que tudo não passava de uma farsa, mas acabaram por chegar a outras conclusões, e este é o caso de William Crookes:
Entre 1871 e 1874, o físico e químico inglês William Crookes lançou-se à investigação dos fenômenos produzidos por médiuns europeus e norte-americanos. Ele assim descreveu as condições às quais submeteu os médiuns para suas investigações: “Eles devem estar na minha casa, em frente do grupo de pessoas que eu selecionarei, sob minhas condições.” (Doyle 1926: volume 1, 177).
Florence Cook, que à época tinha apenas 15 anos de idade, sozinha na casa de Crookes e com a família e amigos dele como testemunhas, materializou o espírito de Katie King, que caminhou na casa, conversou, permitiu ser pesada e medida, e ainda segurou em seus braços o bebê da família (Doyle 1926: volume 1, 241). As seções eram feitas no escuro, pois assim as materializações apresentavam-se melhor, apesar de ocasionalmente ter sido usada luz vermelha para obtenção de fotografias.
Como freqüentemente constatado fenômenos desta natureza, o peso e a altura de Katie materializada, variavam. Entretanto, ela sempre era mais alta que Florence Cook, com um rosto mais largo e diferentes tipos de cabelo e pele. De acordo com testemunhas, ambas eram visíveis no mesmo momento, assim Florence não poderia ter assumido o papel do espírito (Doyle 1926: volume 1, 235-240).
O relatório de Crookes, publicado em 1874, continha afirmações de que Florence Cook, bem como os médiums Kate Fox e Daniel Dunglas Home, produziam genuínos fenômenos espirituais (Crookes, 1874). A publicação deste causou grande alvoroço, e o seu testemunho sobre Katie King foi considerado o ponto mais polêmico no relatório. Crookes quase perdeu a sua posição de membro da Royal Society, não mais se envolvendo em investigações espíritas (Doyle 1926: volume 1, 169).
No Brasil com relação a materializações damos destaque ao médium Francisco Peixoto Lins, o Peixotinhoique, juntamente com Chico Xavier realizou varias sessões de materializações e de curas, entre as sessões de materializações que realizou, alem dos espíritos que se materializavam, havia ainda materializações de objetos diversos, flores, rostos e letreiros compostos por frases em parafina ditadas pelos presentes na sessão, entre outros fenômenos.
Em “Nos Domínios da Mediunidade”, o Espírito André Luiz nos descreve um de seus aprendizados sobre o assunto, quando observou uma sessão de materialização ocorrida aqui na Terra, cujos indícios nos levam a acreditar que tenha sido com o médium Francisco Peixoto Lins, o Peixotinho.
Ele nos conta que, durante esse fenômeno especialíssimo, o médium é desdobrado e afastado do corpo, semelhante a uma desencarnação. “Assim prostrado, sob o domínio dos técnicos de nosso plano, começou a expelir o ectoplasma, pasta flexível à maneira de uma geléia viscosa e semilíquida, através de todos os poros e, com mais abundância, pelos orifícios naturais, particularmente a boca, as narinas e os ouvidos, com elevada porcentagem a se exteriorizar igualmente do tórax e das extremidades dos dedos”, explica. Esse fluido condensado era de uma alvura extraordinária, ligeiramente luminosa, comparável à clara de ovo, com um cheiro característico e indescritível.
A materialização, é o fenômeno mediúnico no qual um espírito desencarnado ou um objeto qualquer, não proveniente do mundo físico, torna-se visível e tangível. É, portanto, uma manifestação de efeitos físicos.
Para que um espírito desencarnado materialize o seu perispírito ou um objeto inexistente no mundo físico, ele tem que fazer uso de uma substância semi-material exalada pelos seres vivos em geral e, em maior quantidade, pelos médiuns de efeitos físicos, chamada de ectoplasma.
Em O Livro dos Médiuns, o Espírito São Luís responde algumas questões referentes às manifestações físicas. Segundo São Luís, o que anima a matéria ou os objetos que se movem, bem como o que materializa os Espíritos, é uma combinação do fluido cósmico universal com o fluido perispiritual do próprio médium e o fluido do perispírito de espíritos mais ligados à matéria, ou seja, menos evoluídos. Essa composição fluídica “anima” a matéria, envolvendo os objetos entre o espaço molecular e penetrando igualmente os corpos, como um imenso oceano.
À vontade do Espírito que coordena o fenômeno conduz o movimento dos objetos, por isso, ela é a causa do fenômeno, enquanto que a mescla de fluidos é o veículo condutor deste. Por exemplo, um Espírito materializado que escreve ou toca piano. Ele deita seus dedos sobre as teclas, porém, não é sua “força muscular” que as impulsiona. Na verdade, é o fluido que as anima, interpondo-se no espaço entre as moléculas da matéria de que é composto e acatando a vontade do Espírito.
A presença de um ou mais médiuns de efeitos físicos é essencial à ocorrência de fenômenos de materialização, são raros os Núcleos Espíritas que atualmente mantêm sessões com tal finalidade.
Rogério Fernando
fernandosilva_art@hotmail.com
28 de Outubro de 200904:13 em
Saberia dizer algum centro que faça a materialização?!
Obrigado!