O Homem lida com a mediunidade desde tempos imemoriais, pois esta é inerente ao ser Humano, ou seja, se desenvolveu conforme o desenvolvimento dos órgãos que constituem os mecanismos psíquicos do Ser. Com isto o Homem se deparou no decorrer de sua historia evolutiva com diversas manifestações físicas, que por falta de conhecimento dos fenômenos que lhe eram apresentados, alguns tomaram os fatos como “mistérios”, outros como “divinos” e até mesmo como “satânicos”, cada povo foi atribuindo os fenômenos mediúnicos a determinadas classificações e a determinados “deuses” ou “demônios”, conforme suas culturas e “saberes”.
As manifestações físicas dos espíritos transpassaram no tempo, temos noticias dessas manifestações principalmente em um dos livros mais respeitado pela maioria da Humanidade, a Bíblia; neste livro desde o Velho Testamento até o Novo Testamento, as manifestações físicas dos espíritos são explicitamente expostas, citemos algumas:
E levantou-se aquela mesma noite, e tomou as suas duas mulheres, e as suas duas servas, e os seus onze filhos, e passou o vau de Jaboque. E tomou-os e fê-los passar o ribeiro; e fez passar tudo o que tinha. Jacó, porém, ficou só; e lutou com ele um homem, até que a alva subiu. E vendo este que não prevalecia contra ele, tocou a juntura de sua coxa, e se deslocou a juntura da coxa de Jacó, lutando com ele. E disse: Deixa-me ir, porque já a alva subiu. Porém ele disse: Não te deixarei ir, se não me abençoares. E disse-lhe: Qual é o teu nome? E ele disse: Jacó. Então disse: Não te chamarás mais Jacó, mas Israel; pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens, e prevaleceste. E Jacó lhe perguntou, e disse: Dá-me, peço-te, a saber o teu nome. E disse: Por que perguntas pelo meu nome? E abençoou-o ali. E chamou Jacó o nome daquele lugar Peniel, porque dizia: Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva.
Gênesis Cap. 32 – v. 22 ao 30
A luta de Jacó com um Espírito (um fenômeno típico de materialização), pois esta só poderia realizar-se na condição do relato bíblico, se o espírito contendor se encontrasse materializado.
Em Daniel Cap. V, há o fenômeno de uma materialização seguida de escrita direta, A Escritura na parede:
O rei Belsazar deu um grande banquete a mil dos seus senhores, e bebeu vinho na presença dos mil . Havendo Belsazar provado o vinho, mandou trazer os vasos de ouro e de prata, que Nabucodonosor, seu pai, tinha tirado do templo que estava em Jerusalém, para que bebessem neles o rei, os seus príncipes, as suas mulheres e concubinas. Então trouxeram os vasos de ouro, que foram tirados do templo da casa de Deus, que estava em Jerusalém, e beberam neles o rei, os seus príncipes, as suas mulheres e concubinas. Beberam o vinho, e deram louvores aos deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira, e de pedra. Na mesma hora apareceram uns dedos de mão de homem, e escreviam, defronte do castiçal, na caiadura da parede do palácio real; e o rei via a parte da mão que estava escrevendo. Mudou-se então o semblante do rei, e os seus pensamentos o turbaram; as juntas dos seus lombos se relaxaram, e os seus joelhos batiam um no outro. E gritou o rei com força, que se introduzissem os astrólogos, os caldeus e os adivinhadores; e falou o rei, dizendo aos sábios de babilônia: Qualquer que ler este escrito, e me declarar a sua interpretação, será vestido de púrpura, e trará uma cadeia de ouro ao pescoço e, no reino, será o terceiro governante. Então entraram todos os sábios do rei; mas não puderam ler o escrito, nem fazer saber ao rei a sua interpretação.
Daniel – Cap. V – v. 1 ao 8
Para aquele povo naquele tempo esses fenômenos eram atribuídos aos deuses, mas podemos notar que, o fenômeno de materialização da mão e o da escrita direta era algo inusitado, pois os tidos como “sábios”, não souberam decifrar a escrita, nem mesmo explicar o fenômeno ao Rei.
No novo Testamento temos ainda alguns relatos de manifestações físicas dos espíritos:
Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte, E transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui três tabernáculos, um para ti, um para Moisés, e um para Elias. E, estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o. E os discípulos, ouvindo isto, caíram sobre os seus rostos, e tiveram grande medo. E, aproximando-se Jesus, tocou-lhes, e disse: Levantai-vos, e não tenhais medo. E, erguendo eles os olhos, ninguém viram senão unicamente a Jesus.
Mateus Cap. 17 – v. 1 ao 8
Allan Kardec nos esclarece em “O Livro dos Médiuns” o fenômeno da transfiguração: “No fenômeno com que nos ocupamos, há mais alguma coisa. A teoria do perispírito nos vai esclarecer”.
Está, em princípio, admitido que o Espírito pode dar ao seu perispírito todas as aparências; que, mediante uma modificação na disposição molecular, pode dar-lhe a visibilidade, a tangibilidade e, conseguintemente, a opacidade; que o perispírito de uma pessoa viva, isolado do corpo, é passível das mesmas transformações; que essa mudança de estado se opera pela combinação dos fluidos. Figuremos agora o perispírito de uma pessoa viva, não isolado, mas irradiando-se em volta do corpo, de maneira a envolvê-lo numa espécie de vapor. Nesse estado, passível se torna das mesmas modificações de que o seria, se o corpo estivesse separado. Perdendo ele a sua transparência, o corpo pode desaparecer, tornar-se invisível, ficar velado, como se mergulhado numa bruma. Poderá então o perispírito mudar de aspecto, fazer-se brilhante, se tal for à vontade do Espírito e se este dispuser de poder para tanto. Um outro Espírito, combinando seus fluidos com os do primeiro, poderá, a essa combinação de fluidos, imprimir a aparência que lhe é própria, de tal sorte, que o corpo real desapareça sob o envoltório fluídico exterior, cuja aparência pode variar à vontade do Espírito. Esta parece ser a verdadeira causa do estranho fenômeno e raro, cumpra se diga, da transfiguração.
Cap. VII – Item 123
Além da transfiguração há também o fenômeno da materialização de Moisés e Elias. Pedro e seus companheiros “achavam-se dormindo” só depois despertam, podemos dizer que os apóstolos ali presentes, servindo-se de médiuns sem saberem, estavam efetivamente cedendo ectoplasma, desde que, em sua grande maioria, os médiuns de materialização ficam profundamente adormecidos durante as sessões.
Em João temos outro fenômeno de materialização, após a “morte” de Jesus:
Chegada, pois, à tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas às portas, onde os discípulos com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco. E, dizendo isto, mostrou-lhes as suas mãos e o lado. De sorte que os discípulos se alegraram, vendo o Senhor. Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos. Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe, pois, os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele disse-lhes: Se eu não vir o sin al dos cravos em suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei. E oito dias depois estavam outra vez os seus discípulos dentro, e com eles Tomé. Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco. Depois disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente. E Tomé respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu! Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram.
João Cap. XX – v. 19 ao 29
Nesse episódio a materialização de Jesus se dá tão concreta que Tomé pôde tocá-lo. Foi o que ocorreu também nas experiências de materializações realizadas por William Crookes com o Espírito de Katie King, que veremos mais adiante.
Em atos dos apóstolos temos um outro fenômeno de materialização:
E lançaram mão dos apóstolos, e os puseram na prisão pública. Mas de noite um anjo do Senhor abriu as portas da prisão e, tirando-os para fora, disse: Ide e apresentai-vos no templo, e dizei ao povo todas as palavras desta vida. E, ouvindo eles isto, entraram de manhã cedo no templo, e ensinavam. Chegando, porém, o sumo sacerdote e os que estavam com ele, convocaram o conselho, e a todos os an ci ãos dos filhos de Israel, e enviaram ao cárcere, para que de lá os trouxessem. Mas, tendo lá ido os servidores, não os achara m na prisão e, voltando, lho anunciaram, Dizendo: Achamos realmente o cárcere fechado, com toda a segurança, e os guardas, que estavam fora, diante das portas; mas, quando abrimos, ninguém achamos dentro. Então o sumo sacerdote, o capitão do templo e os chefes dos sacerdotes, ouvindo estas palavras, estavam perplexos acerca deles e do que viria a ser aquilo.
Atos dos Apóstolos – Cap. V – v. 18 ao 24
Não é de se admirar a perplexidade do povo daquela época pois, somente após séculos é que, as respostas para tais fenômenos seriam melhores exploradas e explicadas, já tendo a humanidade avançada um pouco mais, e com o avanço da Ciência e o advento do Espiritismo, homens notáveis se propuseram a estudar e explorar melhor esses fenômenos que desde tempos imemoriais tem ocorrido na humanidade.
Este artigo continua em sua Parte 2
Rogério Fernando
fernandosilva_art@hotmail.com