Arquivo de Julho de 2009

Aborto, uma viagem impedida

Sexta, 31 de Julho de 2009

Imagine que você esteja programando uma viagem há muitos anos, e que ela fosse a coisa mais importante de sua vida, onde você conseguiria alcançar progressos, construir novas amizades, restabelecer afetos que foram desfeitos por atos impensados de sua parte no passado, conquistar o amor de pessoas, reencontrar novamente a pessoa que você mais ama, colaborar com avanços para a sociedade e em um determinado dia alguém lhe diz que você finalmente irá fazer essa viagem, e que só terá que aguardar nove meses. Certamente você ficará muito feliz, pois esperava há muito por esse dia! Mas passados alguns meses sua viagem é impedida por alguém, sem que lhe pergunte nada, ou lhe deem alguma explicação.

Como você se sentiria? Pois para a pessoa que impediu sua viagem, pouco importou se você está vivo ou não! Pouco importou se você tem sentimentos, se esses sentimentos foram feridos, etc. Certamente você ficará muito triste e dependendo de seu temperamento ficará com muita raiva, não é mesmo?

Bom, com isto certamente antes de você impedir a viagem de alguém um dia, irá pensar nas conseqüências que este seu ato podem gerar. Pois assim como feriram seus sentimentos, os dele ou dela serão feridos também. Se você é a pessoa que espera esse viajante, imagine quantos benefícios ele pode lhe trazer no futuro, imagine as mudanças boas que ele fará em seu modo de vida, os cuidados que ele, com o amor que será acolhido, lhe dedicará no futuro quando você precisar do amor dele. Imagine que você impedindo a viagem desse Ser pode estar impedindo a chegada de um benfeitor para a humanidade, de um bom médico, cientista, religioso, político ou um homem de bem.

Imagine quantas oportunidades de resgate de débitos anteriores, de desentendimentos, poderão deixar de ser resgatados no impedimento da chegada desse viajante!

Essa é uma visão que podemos ter no caso do feto que está se desenvolvendo, e por um ato de desespero da mãe, por um ato muitas vezes impensado dos pais, ou por pressões da família, acaba por ser impedido de concluir a sua viagem e nascerem. Para muitos só há vida quando a criança nasce, nem imaginam que é na concepção, ou seja, quando o espermatozóide fecunda o óvulo, que a alma se liga ao feto que se desenvolverá durante nove meses, esse feto possuindo uma alma, tem sentimentos, dores, prazeres, desgostos e como nos referimos acima, muitos projetos futuros para a vida na Terra, assim como você que aguarda esse viajante e pensa em impedi-lo de concluir sua viagem, tem e teve projetos e sentimentos para sua vida! Antes de impedir a viagem de alguém, pense e reflita sobre essa foto, tirada durante uma cirurgia realizada em um feto ainda dentro da barriga de sua mãe, onde o bebê segura a mão do médico que estava operando.

Rogério Fernando
fernandosilva_art@hotmail.com

Para saber mais:
O Livros dos Espíritos - Allan Kardec

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Materialização de Espíritos na História da Humanidade - Parte 1

Sexta, 17 de Julho de 2009

O Homem lida com a mediunidade desde tempos imemoriais, pois esta é inerente ao ser Humano, ou seja, se desenvolveu conforme o desenvolvimento dos órgãos que constituem os mecanismos psíquicos do Ser. Com isto o Homem se deparou no decorrer de sua historia evolutiva com diversas manifestações físicas, que por falta de conhecimento dos fenômenos que lhe eram apresentados, alguns tomaram os fatos como “mistérios”, outros como “divinos” e até mesmo como “satânicos”, cada povo foi atribuindo os fenômenos mediúnicos a determinadas classificações e a determinados “deuses” ou “demônios”, conforme suas culturas e “saberes”.

As manifestações físicas dos espíritos transpassaram no tempo, temos noticias dessas manifestações principalmente em um dos livros mais respeitado pela maioria da Humanidade, a Bíblia; neste livro desde o Velho Testamento até o Novo Testamento, as manifestações físicas dos espíritos são explicitamente expostas, citemos algumas:

E levantou-se aquela mesma noite, e tomou as suas duas mulheres, e as suas duas servas, e os seus onze filhos, e passou o vau de Jaboque. E tomou-os e fê-los passar o ribeiro; e fez passar tudo o que tinha. Jacó, porém, ficou só; e lutou com ele um homem, até que a alva subiu. E vendo este que não prevalecia contra ele, tocou a juntura de sua coxa, e se deslocou a juntura da coxa de Jacó, lutando com ele. E disse: Deixa-me ir, porque já a alva subiu. Porém ele disse: Não te deixarei ir, se não me abençoares. E disse-lhe: Qual é o teu nome? E ele disse: Jacó. Então disse: Não te chamarás mais Jacó, mas Israel; pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens, e prevaleceste. E Jacó lhe perguntou, e disse: Dá-me, peço-te, a saber o teu nome. E disse: Por que perguntas pelo meu nome? E abençoou-o ali. E chamou Jacó o nome daquele lugar Peniel, porque dizia: Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva.
Gênesis Cap. 32 – v. 22 ao 30

A luta de Jacó com um Espírito (um fenômeno típico de materialização), pois esta só poderia realizar-se na condição do relato bíblico, se o espírito contendor se encontrasse materializado.

Em Daniel Cap. V, há o fenômeno de uma materialização seguida de escrita direta, A Escritura na parede:

O rei Belsazar deu um grande banquete a mil dos seus senhores, e bebeu vinho na presença dos mil . Havendo Belsazar provado o vinho, mandou trazer os vasos de ouro e de prata, que Nabucodonosor, seu pai, tinha tirado do templo que estava em Jerusalém, para que bebessem neles o rei, os seus príncipes, as suas mulheres e concubinas. Então trouxeram os vasos de ouro, que foram tirados do templo da casa de Deus, que estava em Jerusalém, e beberam neles o rei, os seus príncipes, as suas mulheres e concubinas. Beberam o vinho, e deram louvores aos deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira, e de pedra. Na mesma hora apareceram uns dedos de mão de homem, e escreviam, defronte do castiçal, na caiadura da parede do palácio real; e o rei via a parte da mão que estava escrevendo. Mudou-se então o semblante do rei, e os seus pensamentos o turbaram; as juntas dos seus lombos se relaxaram, e os seus joelhos batiam um no outro. E gritou o rei com força, que se introduzissem os astrólogos, os caldeus e os adivinhadores; e falou o rei, dizendo aos sábios de babilônia: Qualquer que ler este escrito, e me declarar a sua interpretação, será vestido de púrpura, e trará uma cadeia de ouro ao pescoço e, no reino, será o terceiro governante. Então entraram todos os sábios do rei; mas não puderam ler o escrito, nem fazer saber ao rei a sua interpretação.
Daniel – Cap. V – v. 1 ao 8

Para aquele povo naquele tempo esses fenômenos eram atribuídos aos deuses, mas podemos notar que, o fenômeno de materialização da mão e o da escrita direta era algo inusitado, pois os tidos como “sábios”, não souberam decifrar a escrita, nem mesmo explicar o fenômeno ao Rei.

No novo Testamento temos ainda alguns relatos de manifestações físicas dos espíritos:

Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte, E transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui três tabernáculos, um para ti, um para Moisés, e um para Elias. E, estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o. E os discípulos, ouvindo isto, caíram sobre os seus rostos, e tiveram grande medo. E, aproximando-se Jesus, tocou-lhes, e disse: Levantai-vos, e não tenhais medo. E, erguendo eles os olhos, ninguém viram senão unicamente a Jesus.
Mateus Cap. 17 – v. 1 ao 8

Allan Kardec nos esclarece em “O Livro dos Médiuns” o fenômeno da transfiguração: “No fenômeno com que nos ocupamos, há mais alguma coisa. A teoria do perispírito nos vai esclarecer”.

Está, em princípio, admitido que o Espírito pode dar ao seu perispírito todas as aparências; que, mediante uma modificação na disposição molecular, pode dar-lhe a visibilidade, a tangibilidade e, conseguintemente, a opacidade; que o perispírito de uma pessoa viva, isolado do corpo, é passível das mesmas transformações; que essa mudança de estado se opera pela combinação dos fluidos. Figuremos agora o perispírito de uma pessoa viva, não isolado, mas irradiando-se em volta do corpo, de maneira a envolvê-lo numa espécie de vapor. Nesse estado, passível se torna das mesmas modificações de que o seria, se o corpo estivesse separado. Perdendo ele a sua transparência, o corpo pode desaparecer, tornar-se invisível, ficar velado, como se mergulhado numa bruma. Poderá então o perispírito mudar de aspecto, fazer-se brilhante, se tal for à vontade do Espírito e se este dispuser de poder para tanto. Um outro Espírito, combinando seus fluidos com os do primeiro, poderá, a essa combinação de fluidos, imprimir a aparência que lhe é própria, de tal sorte, que o corpo real desapareça sob o envoltório fluídico exterior, cuja aparência pode variar à vontade do Espírito. Esta parece ser a verdadeira causa do estranho fenômeno e raro, cumpra se diga, da transfiguração.
Cap. VII – Item 123

Além da transfiguração há também o fenômeno da materialização de Moisés e Elias. Pedro e seus companheiros “achavam-se dormindo” só depois despertam, podemos dizer que os apóstolos ali presentes, servindo-se de médiuns sem saberem, estavam efetivamente cedendo ectoplasma, desde que, em sua grande maioria, os médiuns de materialização ficam profundamente adormecidos durante as sessões.

Em João temos outro fenômeno de materialização, após a “morte” de Jesus:

Chegada, pois, à tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas às portas, onde os discípulos com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco. E, dizendo isto, mostrou-lhes as suas mãos e o lado. De sorte que os discípulos se alegraram, vendo o Senhor. Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos. Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe, pois, os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele disse-lhes: Se eu não vir o sin al dos cravos em suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei. E oito dias depois estavam outra vez os seus discípulos dentro, e com eles Tomé. Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco. Depois disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente. E Tomé respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu! Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram.
João Cap. XX – v. 19 ao 29

Nesse episódio a materialização de Jesus se dá tão concreta que Tomé pôde tocá-lo. Foi o que ocorreu também nas experiências de materializações realizadas por William Crookes com o Espírito de Katie King, que veremos mais adiante.

Em atos dos apóstolos temos um outro fenômeno de materialização:

E lançaram mão dos apóstolos, e os puseram na prisão pública. Mas de noite um anjo do Senhor abriu as portas da prisão e, tirando-os para fora, disse: Ide e apresentai-vos no templo, e dizei ao povo todas as palavras desta vida. E, ouvindo eles isto, entraram de manhã cedo no templo, e ensinavam. Chegando, porém, o sumo sacerdote e os que estavam com ele, convocaram o conselho, e a todos os an ci ãos dos filhos de Israel, e enviaram ao cárcere, para que de lá os trouxessem. Mas, tendo lá ido os servidores, não os achara m na prisão e, voltando, lho anunciaram, Dizendo: Achamos realmente o cárcere fechado, com toda a segurança, e os guardas, que estavam fora, diante das portas; mas, quando abrimos, ninguém achamos dentro. Então o sumo sacerdote, o capitão do templo e os chefes dos sacerdotes, ouvindo estas palavras, estavam perplexos acerca deles e do que viria a ser aquilo.
Atos dos Apóstolos – Cap. V – v. 18 ao 24

Não é de se admirar a perplexidade do povo daquela época pois, somente após séculos é que, as respostas para tais fenômenos seriam melhores exploradas e explicadas, já tendo a humanidade avançada um pouco mais, e com o avanço da Ciência e o advento do Espiritismo, homens notáveis se propuseram a estudar e explorar melhor esses fenômenos que desde tempos imemoriais tem ocorrido na humanidade.

Este artigo continua em sua Parte 2

Rogério Fernando
fernandosilva_art@hotmail.com

Reencarnação: processo universal de aplicação dos códigos

Domingo, 12 de Julho de 2009

As primeiras referências à idéia de reencarnação se perdem na noite dos evos da História. Temos notícias dela há dois mil e quinhentos anos, nas Upanichades [escrituras sagradas do hinduísmo], até hoje a maior religião da Índia. Neste mesmo período, Pitágoras (1), filósofo e matemático grego, nascido por volta do ano 580 a.C., que foi discípulo de Ferecides de Siros, dizia que a alma era imortal e, depois da morte do corpo, ela ocupava outro corpo - palingenesia -, às vezes de um animal - metempsicose [tese equivocada do matemático de Samos]. Pelas fontes históricas, foi a primeira vez que a teoria da reencarnação foi mencionada no Ocidente. Posteriormente, Platão (429-347 a.C.), também filósofo grego, discípulo de Sócrates, ensinava que a alma nasce muitas vezes, até mesmo durante 10 mil anos, e, depois, parte para a bem-aventurança celestial.

Nos primeiros séculos, muitos grupos cristãos, majoritários, defenderam a palingenesia, especialmente os gnósticos (2), com sua visão profundamente inteligente do corpo e da matéria em geral. O extraordinário cristão Orígenes (3), de Alexandria, defendeu a reencarnação. A partir das suas reflexões, surgiu um grupo sábio de monges que passaram a professar também a doutrina das preexistências. Para os “donos” do poder clerical, o chamado “origenismo” tornava-se nefasto e tumultuava, mormente a Palestina; em face disso o patriarca da igreja de Jerusalém, no século VI, solicitou ao imperador bizantino Justiniano que interviesse.

O imperador escreveu um tratado contra Orígenes e levou o “dono” da igreja de Constantinopla a reunir aí um sínodo (4) em 543, que condenou as teses relativas à preexistência da alma e outras posições origenistas. Dez anos depois, em 553, com a aquiescência ambígua do papa Virgílio (5), o Imperador Justiniano convocou o II Concílio de Constantinopla, no qual, com astuta maquinação, retirou definitivamente a chamada “controvérsia origenista”, mediante eleição espúria que venceu por 3 a 2 votos. E a reencarnação foi definitivamente banida dos preceitos de direito eclesiástico (6). Lógico! A Igreja estava defendendo nesse ato extravagante a doutrina do céu e do inferno e das penas eternas porque centrava mais poder em suas mãos. E dessa forma a reencarnação foi banida num dos mais graves equívocos cometidos pelo Cristianismo.

Antes disso, no século III, o notável Clemente de Alexandria observou em sua obra Stromata (Miscelâneas): “A hipótese de Basílides, um mestre gnóstico, diz que a alma, tendo pecado anteriormente em outra vida, experimenta punição nesta vida”.

Nessa mesma época, Tertuliano, o primeiro autor cristão a escrever em latim, negando a metempsicose, se expressa muitas vezes sobre o assunto, como nessa passagem: “Quão mais digno de aceitação é o nosso ensino de que as almas irão retornar aos mesmos corpos. E quão mais ridículo é o ensino herdado (pagão) de que o espírito humano deve reaparecer em um cão, cavalo ou pavão!” (Ad Nationes, Cap. 19). Fica evidente que tanto quanto os espíritas, os sábios da Igreja também não aceitavam a metempsicose.

A tese da metempsicose conflitava a mente de alguns teólogos, questão que a rigor só foi mais bem esclarecida com o advento do Espiritismo. Vejamos o apologista e historiador Lactâncio, que no século IV expressa o pensamento dos seus contemporâneos cristãos: “Os pitagóricos e estóicos afirmavam que a alma não nasce com o corpo. Antes, eles dizem que ela foi introduzida no mesmo e que migra de um corpo para outro”. Em outro ponto de sua obra As Institutas Divinas, ele afirma: “Pitágoras insiste que as almas migram de corpos desgastados pela velhice e pela morte. Ele diz que elas são admitidas em corpos novos e recém-nascidos. Ele também diz que as mesmas almas são reproduzidas ora em um homem, ora em uma ovelha, ora em um animal selvagem, ora em um pássaro… Essa opinião de um homem insensato é ridícula”.

Outro testemunho importante vem do maior teólogo da Igreja antiga do século V, Agostinho. Ele estava familiarizado com as teorias de reencarnação tanto maniqueístas quanto platônicas do seu tempo. Em um comentário sobre Gênesis, ele rejeitou como contrária à fé cristã a idéia de que as almas humanas retornavam em corpos de diferentes animais, de acordo com a sua conduta moral (transmigração). Em A Cidade de Deus (Livro X, Cap. 30), o bispo de Hipona observa que, embora o filósofo neoplatônico Porfírio tenha rejeitado esse conceito ensinado por Platão e Plotino, e não hesitasse em corrigir os seus mestres nesse ponto, ele achava que as almas humanas voltavam em outros corpos humanos. Sobre essa questão (metempsicose), o Espiritismo corrige o equívoco de Pitágoras.

Atualmente, para alguns cristãos, a “prova” da unicidade da vida humana está inserta no cap. 9, versículo 27, da carta de Paulo aos hebreus: “aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo”. Será que Jesus atribuiu para a vida atual um valor decisivo para toda existência posterior à morte? No debate, os convictos da unicidade proclamam a ressurreição, mas sobre esse fenômeno sobrenatural é imperioso refletir sobre os casos da filha de Jairo (Mt. 9:18-26), do filho da viúva de Naim (Lc. 7:11-17) e do próprio Lázaro (Jo. 11:1-44). Se ambos “ressuscitaram” como crêem tais cristãos, como ficaria a evocação da carta aos hebreus acima, para se negar a reencarnação? Recordemos que ambos os “ressuscitados” não teriam morrido uma só vez. A propósito, sequer estavam mortos, apenas acometidos de catalepsia. (7)

Jesus asseverou que a verdade libertaria o homem. Se a verdade (reencarnação) está sendo negada aos cristãos atualmente, fica evidente que os mesmos não se encontram livres, ou, o que é pior, estão algemados aos férreos dogmas humanos, disseminados pelos negadores contumazes do princípio natural da reencarnação, forjadores de uma fé entronizada nos pináculos da ficção, do mito e dos celestes devaneios do imaginário teológico.

Na máxima “nascer, morrer, renascer e progredir incessantemente tal é a Lei”, encontramos o mais legítimo processo universal de aplicação dos códigos de justiça nas Leis do Criador.

JORGE HESSEN
jorgehessen@gmail.com

Fontes:

(1) Pitágoras de Samos (séc. VI a.C.), filósofo e matemático grego. Seus seguidores, os pitagóricos, que, dos sécs. VI ao IV a.C., organizados em comunidades filosófico-religiosas multiplicadas pela Magna Grécia, constituíram a chamada escola itálica ou escola pitagórica. Define-se o pitagorismo por duas tendências: a místico-moralista, ligada ao orfismo e ao xamanismo, e a filosófico-matemática, de que resultou brilhante acervo de conhecimentos aritméticos, geométricos, astronômicos e acústicos, integrados pelo descobrimento de correspondências numéricas entre as várias ordens de realidade.

(2) Diz-se de, ou adepto do gnosticismo, movimento filosófico-religioso surgido nos primeiros séculos da nossa era e diversificado em numerosas seitas, e que visava a conciliar todas as religiões e a explicar-lhes o sentido mais profundo por meio da gnose (conhecimento esotérico e perfeito da divindade, e que se transmite por tradição e mediante ritos de iniciação).

(3) Morreu em 254 d.C, na cidade de Tiro, em virtude da perseguição de Décio, mais conhecido pelo nome de Trajano, o qual era um incansável opositor do Cristianismo.

(4) Órgão colegiado e permanente do governo eclesiástico das Igrejas do Oriente.

(5) Virgílio (537–555). Nasceu em Roma de família nobre. Foi eleito graças à simonia, à calúnia e à cumplicidade da imperatriz Teodora. De caráter débil, foi vítima de chantagens por parte da imperatriz e do imperador Justiniano. Morreu em Siracusa, quando voltava a Roma, depois de demorada visita ao Oriente.

(6) Há quem afirme que foi por influência de Teodora, esposa de Justiniano, que gostaria de ser divinizada, porém, por ter sido ex-cortesã, mandou matar as antigas colegas (500 mulheres), porque se mostravam orgulhosas por sua antiga “AMIGA” que se havia tornado imperatriz. Os fregueses das meretrizes mortas lançaram à Teodora um anátema: suas próximas 500 reencarnações terminariam sempre de forma trágica. (Se non é vero, é bene trovato).

(7) Estado em que se observa uma rigidez cérea dos músculos, de modo que o paciente permanece na posição em que é colocado. [Observa-se a catalepsia principalmente em casos de demência precoce e de sono hipnótico.]

http://www.oconsolador.com.br/46/jorge_hessen.html

Extremos e Diferenças

Domingo, 12 de Julho de 2009

Com a multiplicidade das existências, podemos aprender continuamente, construir o equilíbrio e reparar equívocos. Isto é a reencarnação, sem segredos. Mera questão de justiça.

Raciocinemos juntos. Relacionemos, em síntese, as diferenças humanas: miséria e riqueza; beleza e feiúra; intelecto farto e dificuldades elementares de raciocínio; gênios precoces e crianças com dificuldades de aprendizagem; morte em tenra idade e juventude sadia; saúde e estabilidade financeira e carências permanentes ao lado de enfermidades cruéis; violência e bondade; honestidade e corrupção; para uns tudo dá certo e para outros nada dá certo; medo e ousadia; modéstia e petulância; etc.

Pois bem! É uma lista interminável esta. Diariamente vemos situações onde os extremos se mostram e confundem o raciocínio. Afinal ficamos a pensar: por quê? Como explicar tantas diferenças? Acaso? Preferência de Deus? Privilégios de nascimento? Méritos? Castigo? Muitos contestam e sentem até dificuldade de entender, mas é simples. A explicação já existe e ela vem de antes da vinda de Jesus ao planeta. Sábios, em várias épocas, antes e após o advento da vinda de Jesus, falaram da reencarnação. E atualmente, pesquisadores e cientistas estudam a temática dessa lei natural que rege as vidas humanas.

Sim, Lei! Não é invenção de ninguém, de nenhuma crença. Nem também privilégio ou exclusividade de quem quer que seja. Simplesmente uma Lei Natural. Sendo natural, é Divina, estabelecida pelo Criador. Mas como constatar que é verdade?

Ora, voltemos ao início deste comentário. Submetamos todas aquelas dúvidas e outras mais da interminável lista a uma única existência que determina sortes e decide o futuro. Como conciliar isso com os princípios de justiça e bondade de um Pai Criador, que denominamos Deus e que foi apresentado por Jesus de maneira incomparável? Numa única oportunidade, repleta de fragilidades individuais e coletivas, como superar desafios que nos façam merecedores e habitantes de uma morada feliz após a morte do corpo? Acrescente-se a isso as situações dos natimortos, das crianças que morrem em tenra idade ou jovens que partem vítimas de acidentes. Não tiveram tempo de construir o próprio equilíbrio. Foram desprezados pela vida. Por quê? E os demais são privilegiados? Isto é justo?

Com a multiplicidade das existências, podemos aprender continuamente, construir o equilíbrio e reparar equívocos. Isto é a reencarnação, sem segredos. Mera questão de justiça. Nesse ponto cabe a clareza da questão 219 de O Livro dos Espíritos:

219 – Qual a origem das faculdades extraordinárias de indivíduos que, sem estudo prévio, parecem ter a intuição de certos conhecimentos, como as línguas, o cálculo etc.? Resposta: – Lembrança do passado; progresso anterior da alma, mas do qual não tem consciência. De onde queres que elas venham? O corpo muda, mas o Espírito não muda, embora troque de vestimenta.

Constância e perseverança também nos levam a novas experiências e ao acúmulo de outras vivências

Sobre as diferentes aptidões dos seres humanos, os Espíritos foram claros na Codificação. À indagação de Allan Kardec sobre as razões da desigualdade dessas aptidões, eles responderam que “Deus criou todos os Espíritos iguais, mas cada um deles tem maior ou menor vivência e, por conseguinte, maior ou menor experiência*. A diferença está no grau da sua experiência e da sua vontade, que é o livre-arbítrio: daí, uns se aperfeiçoam mais rapidamente e isso lhes dá aptidões diversas. A variedade das aptidões é necessária, a fim de que cada um possa concorrer aos objetivos da Providência no limite do desenvolvimento de suas forças físicas e intelectuais: o que um não faz, outro faz. É assim que cada um tem um papel útil (…)” 1.

Ora, a resposta acima enseja vários desdobramentos. A própria indicação de maior ou menor vivência, de menos ou mais experiência, que naturalmente vai determinar o grau de vontade e liberdade, abre imensos espaços de atuação material e moral. Sim, porque cada um de nós só poderá agir com desenvoltura na área que conhece, que domina por vivência anterior, não necessariamente de existência passada.

Isso também leva a refletir que não se está impedido de iniciar campo novo de atuação, cuja constância e perseverança também levarão a novas experiências e acúmulo de outras vivências, igualmente úteis em todo o processo evolutivo.

Na mesma resposta igualmente há a indicação do aperfeiçoamento mais rápido (que gera novas e constantes aptidões, nas diversas áreas) ou mais lento, a depender do esforço despendido e da movimentação da vontade neste objetivo.

Porém os Espíritos são muito claros. Como ensinam, “a variedade das aptidões é necessária”. Cada um trará sua cota de contribuição, cada experiência será utilizada, cada força física ou intelectual concorrerá para o bem coletivo e todos têm um papel a desempenhar, sempre útil no conjunto geral. O interessante, porém, é que nem sempre as diferenças – que devem concorrer para um objetivo útil, como bem indicado em O Livro dos Espíritos 1 – conseguem estabelecer elos de harmonia. Muitas vezes as diferenças individuais são causadoras de conflitos; frutos, é óbvio, da influência do orgulho e do egoísmo que ainda dominam a condição humana.

Onde há o sentimento de tolerância e benevolência está presente a ordem, a tranqüilidade, a estabilidade

Allan Kardec, porém, traz a lucidez de seu pensamento em duas colocações – entre tantas no mesmo sentido –, que transcrevemos parcialmente:

a) “Se um grupo quer estar em condições de ordem, de tranqüilidade e de estabilidade, é preciso que nele reine um sentimento fraternal. Todo grupo ou sociedade que se forma sem ter a caridade efetiva por base, não tem vitalidade; ao passo que aqueles que serão fundados segundo o verdadeiro espírito da Doutrina se olharão como membros de uma mesma família, que, não podendo todos habitar sob o mesmo teto, moram em lugares diferentes”.

A observação está dirigida aos grupos espíritas (em resposta a requerimento dos espíritas de Lyon, por ocasião do Ano Novo) e consta da Revista Espírita, de fevereiro de 1862, página 362, mas vale para qualquer grupamento. Onde há o sentimento de tolerância e benevolência estará presente a ordem, a tranqüilidade, a estabilidade.

Da mesma forma, no exemplar de dezembro de 18682, página 392, na Constituição Transitória do Espiritismo (item IX – Conclusão), Kardec volta a afirmar:

b) “(…) mas pretender que o Espiritismo seja por toda a parte organizado da mesma maneira; que os espíritas do mundo inteiro estejam sujeitos a um regime uniforme, a uma mesma maneira de proceder, que devam esperar a luz de um ponto fixo para onde deverão fixar seus olhares, seria uma utopia tão absurda quanto a de pretender que todos os povos da Terra não formem um dia senão uma única nação, governada por um único chefe, regida pelo mesmo código de leis, e sujeitos aos mesmos usos. Se há leis gerais que podem ser comuns a todos os povos, essas leis serão sempre, nos detalhes da aplicação e da forma, apropriadas aos costumes, aos caracteres, aos climas de cada um. Assim o será com o Espiritismo organizado. Os Espíritas do mundo inteiro terão princípios comuns que os ligarão à grande família pelo laço sagrado da fraternidade, mas cuja aplicação poderia variar segundo as regiões, sem, por isto, que a unidade fundamental seja rompida*, sem formar seitas dissidentes se atirando a pedra e o anátema, o que seria anti-espírita (…)”.

A fraternidade pura é um perfume do Alto, é uma emanação
do infinito, é a base das instituições morais

Ora, é a questão das diferenças nos relacionamentos, na convivência. Há diferenças, óbvio, até por questão de entendimento nos diferentes estágios em que também nos encontramos, os adeptos do Espiritismo. Isto, todavia, não elimina a fraternidade que deve reinar para construção da paz no planeta e na intimidade individual. Com isto, podemos concluir que a reencarnação influi também dentro do próprio entendimento espírita, uma vez que nós espíritas também somos Espíritos reencarnados e, portanto, sujeitos aos estágios próprios de entendimento e amadurecimento.

Bem a propósito, como destaca a mensagem Fundamentos da ordem social 3:

“(…) A fraternidade pura é um perfume do Alto, é uma emanação do infinito, um átomo da inteligência celeste; é a base das instituições morais, e o único meio de elevar um estado social que possa subsistir e produzir efeitos dignos da grande causa pela qual combateis. Sede, pois, irmãos, se quiserdes que o germe depositado entre vós se desenvolva e se torne a árvore que procurais. A união é a força soberana que desce sobre a Terra; a fraternidade é a simpatia na união. (…) É preciso estardes unidos para serdes fortes, e é preciso ser forte para fundar uma instituição que não repouse senão sobre a verdade tornada tão tocante e tão admirável, tão simples e tão sublime. Forças divididas se aniquilam; reunidas elas são tantas vezes mais fortes. (…)”.

E conclui com sabedoria:

“(…) Sem a fraternidade, que vedes? O egoísmo, a ambição. Cada um em seu objetivo; cada um persegue-o de seu lado; cada um caminha à sua maneira, e todos são fatalmente arrastados no abismo onde são tragados, depois de tantos séculos, todos os esforços humanos. Com a união, não há mais que um único alvo, porque não há mais do que um único pensamento, um único desejo, um único coração. Uni-vos, pois, meus amigos; é o que vos repete a voz incessante de nosso mundo; uni-vos, e chegareis bem mais depressa ao vosso alvo (…)”.

E qual seria o alvo, para nós que professamos o Espiritismo?

Permitimo-nos reproduzir a clareza da resposta com que iniciamos o presente comentário: “A variedade das aptidões é necessária, a fim de cada um possa concorrer aos objetivos da Providência no limite do desenvolvimento de suas forças físicas e intelectuais: o que um não faz, outro faz. É assim que cada um tem um papel útil (…)” 1.

Concentremos atenção no final da frase: o que um não faz, outro faz. É assim que cada um tem um papel útil (…). Compreendendo este esclarecimento vital, desaparecem as diferenças e a convivência toma seu verdadeiro rumo: o da fraternidade.

Orson Peter Carrara
orsonpeter@yahoo.com.br

* Destaques do autor:

(1) Questão 804 de O Livro dos Espíritos, 8ª edição IDE-Araras-SP, out/79, tradução de Salvador Gentile.

(2) Edição IDE-Araras-SP, nov/92, tradução de Salvador Gentile.

(3) Mensagem obtida em reunião presidida por Allan Kardec, ditada pelo Espírito Léon de Muriane, e publicada na edição de novembro de 1862 da Revista Espírita (edição IDE-Araras-SP, tradução Salvador Gentile, páginas 345 e 346).

Fonte: http://www.oconsolador.com.br/ano2/89/especial.html

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Reencarnação

Domingo, 12 de Julho de 2009

Reencarnação nem sempre é sucesso expiatório, como nem toda luta no campo físico expressa punição.

Suor na oficina é acesso à competência.

Esforço na escola é aquisição de cultura.

Porque alguém se consagre hoje à Medicina, não quer isso dizer que haja ontem semeado moléstias e so­frimentos.

Muitas vezes, o Espírito, para senhorear o domínio das ciências que tratam do corpo, voluntariamente lhes busca o trato difícil, no rumo de mais elevada ascensão.

Porque um homem se dedique presentemente às atividades da engenharia, não exprime semelhante escolha essa ou aquela dívida do passado na destruição dos re­cursos da Terra.

Em muitas ocasiões, o Espírito elege esse gênero de trabalho, tentando crescer no conhecimento das leis que regem o plano material, em marcha para mais altos pos­tos na Vida Superior.

Entretanto, se o médico ou o engenheiro sofrem golpes mortais no exercício da profissão a que se devo­tam, decerto nela possuem serviço reparador que é pre­ciso atender na pauta das corrigendas necessárias e justas.

Toda restauração exige dificuldades equivalentes. Todo valor evolutivo reclama serviço próprio.

Nada existe sem preço.

Por esse motivo, se as paixões gritam jungidas aos flagelos que lhes extinguem a sombra, as tarefas subli­mes fulgem ligadas às renunciações que lhes acendem a luz.

À vista disso, não te habitues a medir as dores alheias pelo critério de expiação, porque, quase sempre, almas heróicas que suportam o fogo constante das gran­des dores morais, no sacrifício do lar ou nas lutas do povo, apenas obedecem aos impulsos do bem excelso, a fim de que a negação do homem seja bafejada pela es­perança de Deus.

Recorda que, se fosses arrebatado ao Céu, não to­lerarias o gozo estanque, sabendo que os teus filhos se agitam no torvelinho infernal. De imediato, solicitarias a descida aos tormentos da treva para ajudá-los na tra­vessia da angústia…

Lembra-te disso e compreenderás, por fim, a gran­deza do Cristo que, sem débito algum, condicionou-se às nossas deficiências, aceitando, para ajudar-nos, a cruz dos ladrões, para que todos consigamos, na glória de seu amor, soerguer-nos da morte no erro à bênção da Vida Eterna.

Emmanuel

Do livro Religião dos Espíritos, cap. 24, de Emmanuel, psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier.

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