Arquivo de Março de 2009

O Espírito e as Leis Morais

Terça, 31 de Março de 2009

O Espírito se depara com a Lei Natural quando é criado pela Inteligência Suprema, e prossegue na Pluralidade das Existências.

Associa-se a Lei de Reprodução quando na concepção “apossa-se” do zigoto que a partir daí passa da vida orgânica, a possuir um princípio inteligente. E cumpre-a quando se torna um ser consciente que, possuindo as forças sexuais desenvolvidas, reproduz-se equilibradamente.

Integra-se na Lei de Sociedade quando chega ao seio materno, para que através da convivência familiar, seja reeducado para tornar-se um individuo, que, deverá colaborar com o desenvolvimento da sociedade que está integrado, em todos os sentidos socioculturais.

Interage com a Lei de Liberdade, quando desenvolvido os órgãos da inteligência, tem a capacidade de discernir o certo e o errado, exercendo o seu livre arbítrio para decidir as atitudes a serem tomadas com relação à vida. Cumpre-a quando respeita os limites de seu próximo, não invadindo a privacidade alheia.

Exerce a Lei do Trabalho, quando exercita as faculdades da inteligência humana, desenvolvendo as suas habilidades através do trabalho justo, digno e edificante para o ser humano.

Marcha na Lei do Progresso, quando assimila as experiências vividas, tendo-as como lições para a vida futura, aproveitando-as para sua evolução sendo elas boas ou ruins. Cumpre-a quando aplica o cabedal de suas experiências para o desenvolvimento do progresso na civilização em que vive.

Cumpre a Lei de Igualdade, quando deixa o orgulho e os preconceitos, para enxergar o seu próximo como filho do Criador assim como a si mesmo. Quando independente da posição que esteja na sociedade, auxilia e compreende sem distinção de raças, credos ou posição social.

Pratica a Lei de Conservação, quando zela pelo meio em que vive, auxiliando aqueles que são indefesos em relação aos perigos que os ameaçam, quando conserva os meios naturais que Deus lhe deu para sua sobrevivência, quando exercita a higiene pessoal, evitando as enfermidades do corpo.

Consagra-se a Lei de Adoração quando exercita sua fé, tornando-a inabalável e buscando na prece a orientação e a resignação para as vicissitudes da vida; cumpre-a quando respeita as crenças alheias, compreendendo que a melhor religião é aquela que encaminha o homem ao bem.

Perpetra a Lei de Justiça, de Amor e Caridade quando dentro do seu próprio lar, respeita a seu próximo, compreende as diferenças alheias, auxilia a todos, educa-se e educa, amando ao próximo como a si mesmo e a Deus sobre todas as coisas.

Depara-se com a Lei de Destruição, quando enfrenta os cataclismos Terrestres, os flagelos destruidores e com a degeneração do próprio corpo que lhe serviu de vestimenta e retornará ao “pó da terra”.

Chegará a Perfeição Moral, quando através da pluralidade das Existências, aprender a cumprir todas as Leis Divinas e depurar-se dos vícios, do orgulho, do egoísmo, dos preconceitos e da vaidade, cumprindo assim, os desígnios de Deus com relação ao Espírito na sua longa jornada do átomo ao anjo.

Rogério Fernando Silva
fernandosilva_art@hotmail.com

Eu estou sempre certo?

Quinta, 19 de Março de 2009

Sempre que existe qualquer desentendimento entre duas pessoas, uma se avalia como estando totalmente certa, enquanto a outra, pelo contrário, está totalmente errada. É comum vermos pessoas comentando que tiveram divergências com alguém, em que se envaidecem de terem massacrado esse mesmo alguém, em suas colocações “sempre corretas”. Mesmo que possa ter várias interpretaçõeso para o motivo da discórdia, nós não concedemos a possibilidade de que a outra pessoa possa estar correta em alguma delas. Não! A nossa razão tem que ser plena (100%), e nem uma chance para o nosso contendor.

Ora, se fizermos uma reflexão desapaixonada, isenta de protecionismo do nosso “eu”, será que não vamos perceber que o nosso semelhante pode estar certo em alguns pontos da discussão?Ou até mesmo completamente certo? Por que temos que ser infalíveis? E só o outro comete erros? Precisamos nos conscientizar de que todos somos seres falíveis, pessoas com virtudes e defeitos, e normalmente sempre mais defeitos e que podemos expressá-los de acordo com o momento, ora sobressaindo o nosso lado bom( virtuoso), ora sobressaindo o nosso lado mau (vicioso). E por que isso ocorre? Em nosso entendimento, o problema está focalizado na falta de conhecimento de si próprio. A medida que o indivíduo vai se conhecendo melhor, percebe o quanto é falho e passa a enxergar com mais acuidade o seu próprio “eu”, reconhecendo as suas inúmeras deficiências. Isto faz com que a pessoa não se sinta mais o dono exclusivo da razão, tornando-se mais humilde, reconhecendo seus erros, sendo capaz de pedir perdão ao seu semelhante, quando sentir que, por qualquer motivo ofendeu a este, que praticou qualquer ato indigno ao seu próximo.

Para a nossa evolução espiritual, devemos enveredar pela prática mais difícil, que é abdicarmos de querer ser privilegiado, ser sempre o primeiro e por aí vai. Temos que desenvolver o sentimento de amor ao próximo, pô-lo como prioridade nas nossas rogativas. Amando ao próximo, vamos desejar que ele seja tão feliz como desejamos ser. Deveremos pedir a Deus por nós e por nossos familiares, mas principalmente, por aqueles que ainda encontram sérias dificuldades em encontrar o caminho da sua reforma íntima, o caminho que os leve para mais próximo de Deus e de uma vida mais feliz. Não esqueçamos de que ao fim desta jornada seremos chamados a explicar qual a evolução do nosso aprendizado no período desta existência.

Que a Paz de Deus e o Amor de Jesus esteja com todos.

José Carneiro Campelo

Evangelho Segundo o Espiritismo - trecho sobre eutanásia

Terça, 17 de Março de 2009

O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo V - Bem Aventurados os Aflitos. Allan Kardec

28. Um homem está agonizante, presa de cruéis sofrimentos. Sabe-se que seu estado é desesperador. Será lícito poupar alguns instantes de angústias, apressando seu o fim?

Quem vos daria o direito de prejulgar os desígnios de Deus? Não pode ele conduzir o homem até a borda do fosso, para daí o retirar, a fim de fazê-lo voltar a si e alimentar idéias diversas das que tinha? Ainda que haja chegado ao último extremo um moribundo, ninguém pode afirmar com segurança que lhe haja soado a hora derradeira. A Ciência não se terá enganado nunca em suas previsões? Sei bem haver casos que se podem, com razão, considerar desesperadores; mas, se não há nenhuma esperança fundada de um regresso definitivo à vida e à saúde, existe a possibilidade, atestada por inúmeros exemplos, de o doente, no momento mesmo de exalar o último suspiro, reanimar-se e recobrar por alguns instantes as faculdades! Pois bem: essa hora de graça, que lhe é concedida, pode ser-lhe de grande importância. Desconheceis as reflexões que seu Espírito poderá fazer nas convulsões da agonia e quantos tormentos lhe pode poupar um relâmpago de arrependimento. O materialista, que apenas vê o corpo e em nenhuma conta tem a alma, é inapto a compreender essas coisas; o espírita, porém, que já sabe o que se passa no além-túmulo, conhece o valor de um último pensamento. Minorai os derradeiros sofrimentos, quanto o puderdes; mas, guardai- vos de abreviar a vida, ainda que de um minuto, porque
esse minuto pode evitar muitas lágrimas no futuro. – São Luís. (Paris, 1860.)

Trecho retirado do ESE, nesta página:

http://www.uniaoespirita.org.br/page003.aspx

Eutanásia, Não!

Sábado, 14 de Março de 2009

Palavra de origem grega, que significa morte sem dor. De tempos em tempos, somos defrontados com essa situação, quando temos um conhecido, parente, familiar ou amigos entre a vida e a morte, padecendo num leito de dor, despertando em nós o sentimento de compaixão. Recentemente, tivemos na mídia o caso de Eluana, uma italiana de 38 anos, que há 17 anos estava em coma, vivendo sob ajuda de aparelhos, num estado vegetativo. A família conseguiu na Justiça a autorização para a prática da eutanásia. O primeiro ministro italiano Silvio Berlusconni, indignado com a decisão da Justiça, exclamou publicamente que Eluana foi assassinada. O mais triste é que essa decisão não foi a primeira e nem será a última, pelo que temos percebido na legislação de alguns países, principalmente os chamados (vejam só) de Primeiro Mundo.

Numa visão materialista, onde o que se leva em conta é a existência pura e simples da matéria, do corpo, é impossível compreender a posição contrária a prática da eutanásia. Independentemente de questões religiosas, éticas ou bioéticas, há inúmeros casos de pacientes que foram desenganados pela medicina legal e que obtiveram a cura. Conversando esses dias com uma senhora, ela me disse que seu filho foi mandado para casa, porque os médicos disseram que ele teria poucos anos de vida e que não havia mais o que fazer. Ela nos contou que, já que ele não teria muito tempo de vida, tudo que ele pedia ela dava, feijoada, carne de porco, uma série de alimentos que haviam sido restringidos pelos médicos. Já se passaram 6 anos e ele continua vivendo. Para quem teve o prognóstico de poucos dias de vida, é uma diferença e tanto. Caso semelhante ocorreu com Jefferson Magalhães, que sofria de uma doença rara, degenerativa, que o levou a ficar em coma durante 100 dias(isso mesmo, cem dias), chegou a pesar 36Kg, como é de praxe foi mandado para casa, porque também foi desenganado pela medicina. Só que sob os cuidados maternos, Jefferson Magalhães se recuperou, hoje é um profissional, escritor, casado e tem filhos. Ele mesmo escreveu todo esse drama em seu livro “Cobaia de Mim”.

A Doutrina Espírita, como sempre é clara: nas questões 953, 953-a e 953-b, de “O Livro dos Espíritos”, temos a posição dos Espíritos superiores a respeito do assunto. À pergunta feita por Allan Kardec eles responderam: “… quem poderá estar certo de que esse termo tenha chegado, apesar das aparências, e de que um socorro inesperado não venha no último momento?” Fico pensando…, imagina se nos casos dos pacientes relatados acima, tivessem aplicado a eutanásia no período em que ficaram em coma. Quem tem a última palavra sobre a vida humana? Em se tratando de vida, ser humano algum pode decidir quem tem ou não o direito de viver. A vida é dom natural, é divino, está até na Constituição Federal do Brasil, é o bem mais precioso que nós temos.

Como mencionou o espírito Vianna de Carvalho, através da lavra mediúnica de Divaldo Pereira Franco “…Não cabe a ninguém o direito de fazer cessar o processo de sofrimento por meio da eutanásia, mesmo porque a morte do corpo não anula o fenômeno da necessidade específica de cada um, nos múltiplos estágios do crescimento espiritual…”

Amemos e atendamos com carinho nossos pacientes, familiares ou não, oremos, emitamos vibrações de compaixão e consolo. Se Jesus trouxe Lázaro de volta a vida, considerado já morto pelos seus contemporâneos, o que o Mestre faria então, com esses também considerados mortos pela medicina terrena?

EUTANÁSIA, NÃO!

Ricardo Campelo
campelo_r@yahoo.com.br

Para saber mais:
O Livro dos Espíritos - Allan Kardec
Cobaia de mim - Jefferson Magalhães

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